domingo, 2 de janeiro de 2011

Conto 4




TEDIO, eu grito na madrugada fria de minha casa, muitos antigos estão a minha volta a me dar conselhos sobre amor, ódio, dúvida e mistério estão extravasando suas paginas amareladas e corroídas pelo tempo, mas eles não me livram desta dor que vem comendo minha alma, devorando os últimos momentos felizes que ainda me tornam humano.
Saio de casa, vou com minha real forma, como sou por dentro, um anjo caído e deputado pela vida a sofrer por amor...
Sou um Piero em busca de sua conlobina vagando pelas esquinas, becos escuros e praças mostrando minha face retratada nela minha frieza e infelicidade, não há palavra no meu universo de maquiagem e dor, só minha tristeza retratada em meus movimentos, isso me mantém firme no caminho.
Sou um guerreiro sem cavalo nem rainha, mas ainda tenho minha espada e minha armadura forjada no fogo e mais negra que a sombra, é um guerreiro do tipo que não existe mais, talvez nem exista, pois me sinto um fantasma no meio dos vivos em suas rotinas ridículas. Sou o diferente aqui, mas não sou o único, meus amigos me acompanham e juntos somos fortes, mas estou no canto do meu quarto sonhando e olhando para o espelho sozinho, uma lágrima corre e novamente tento ser normal...

Fernando Gil Mesquita.

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